segunda-feira, 1 de junho de 2009

HISTÓRICO DO MOVIMENTO APAEANO


As Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais, presentes no Brasil há cinco décadas constituem-se hoje no maior movimento social de caráter filantrópico do país, na defesa de direitos e prestação de serviços visando proporcionar qualidade de vida, promoção e inclusão social da Pessoa com Deficiência.
A primeira iniciativa no Brasil ocorreu no Rio de Janeiro em 1954, liderada pela senhora Beatrice Bemis, membro do corpo diplomático americano e mãe de uma criança com Síndrome de Down que, com outras famílias, viviam o drama de não encontrarem escolas para a educação de seus filhos.
Em 1955, no Rio de Janeiro, com o apoio da Sociedade Pestalozzi do Brasil, começou a funcionar a primeira escola de APAE para crianças com deficiência.
Segundo Magalhães - et al., 1997, no período de 1954 a 1962 foram criadas 16 APAEs no Brasil. Devido à necessidade de troca de experiências, divulgação e padronização de terminologias e planejamento, realizou-se em 1962, em São Paulo, a 1º Reunião Nacional de Dirigentes Apaeanos, presidida pelo Dr. Stanislau Krynsky.
Assim, pela primeira vez no Brasil, discutiu-se a questão das Pessoas Deficientes, com técnicos e familiares, que traziam para o movimento suas experiências como profissionais e como pais.
Para facilitar a articulação e a troca de idéias, os participantes da reunião constataram a necessidade de se criar um organismo nacional. Nesse sentido, no dia 10 de novembro de 1962, foi fundada a Federação Nacional das APAEs, tendo como primeiro presidente da diretoria provisória eleita o Dr. Antônio dos Santos Clemente Filho.
Em 1963, realizou-se o 1º Congresso da Federação Nacional das APAEs, na cidade do Rio de Janeiro, ocasião em que foi aprovado o estatuto e eleita a primeira Diretoria da Federação Nacional das APAEs, que teve na presidência o Dr. Antônio Clemente dos Santos Filho (Santos Filho, 1997).
A Federação Nacional das APAEs adotou como símbolo a figura de uma flor margarida ladeada por duas mãos em perfil, desniveladas, uma em posição de amparo e a outra de orientação à Pessoa Portadora de Deficiência (Magalhães . et al, 1997; FENAPAEs/ Projeto Águia, 1998).
Atualmente o Movimento Apaeano está estruturado em quatro níveis:
· Federação Nacional das APAEs, responsável pelos rumos, diretrizes e estratégias do Movimento Apaeano e pela articulação política, defesa de direitos e ações, em âmbito nacional, em atenção à Pessoa com Deficiência.
· Federações das APAEs nos Estados, responsáveis pelos rumos,diretrizes e estratégias do Movimento Apaeano e pela articulação política, defesa de direitos e ações, em âmbito estadual, em atenção à Pessoa com Deficiência.
· Conselhos Regionais das APAEs, com a função de organizar as APAEs nas microrregiões, orientando seus rumos e sendo o contato direto entre a base e a Federação das APAEs do Estado.
· APAEs nos municípios, prestadoras de serviços e atendimentos diretos, articulação e defesa de direitos da Pessoa com Deficiência nos municípios.

HISTÓRICO DA APAE SANTANENSE

Um grupo de santanenses liderados pela Senhora Alice de Abreu Campos fundaram a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, no dia 10 de maio de 1964.
A sede provisória numa das dependências da Hidráulica Municipal, cedida pela Administração. Somente em 1968 foi possível a aquisição de um imóvel.
Em 1974 assumiu a presidência da APAE o Sr. Horácio Sebastian Devitta, quando houve a integração da APAE com a Escola Especial Earl Carlson, então presidida pelo Dr. Remígio Antônio Amorim.
Foi necessária a integração por haver na comunidade duas instituições trabalhando separadas, com a mesma finalidade.
A APAE passava a assumir a responsabilidade da Escola Especial, com a orientação e supervisão Pedagógica da 19ª DE.
O Parecer nº. 15/ 82, do Conselho Estadual de Educação autoriza o funcionamento da Escola Particular de 1º Grau Incompleto Caio César Beltrão Tettamanzy, de Sant’Ana do Livramento, mantida pela APAE, para educação especial, sob a jurisdição da 19ª DE.
Conforme Portaria nº. 7941 de 06/04/1982, face o Parecer 15/82, foi autorizado o funcionamento da Escola Particular de 1º Grau Incompleto Caio César Beltrão Tettamanzy, que tem por finalidade proporcionar atendimento a alunos portadores de Deficiência Mental e/ ou Deficiência Múltipla.
Em 02 de agosto de 2000, foi expedido pelo Conselho Estadual de Educação o comprovante de Cadastro de Entidade Mantenedora do Estabelecimento de Ensino, sendo cadastrada sob o nº. de matrícula 535, como entidade mantenedora do seguinte Estabelecimento de Ensino: nº353 001 – Escola de Educação Especial Caio César Beltrão Tettamanzy, de Sant’Ana do Livramento.

Entrevista com a Diretora da APAE santanense - Professora Liliane Severo



Função que exerce na APAE ? Quanto tempo? Diretora da Escola Especial Caio Cesar Beltrão Tettamanzy, HÁ 4 anos.
1-Quantos alunos tem a APAE Livramento? Na Instituição, atualmente atende-se 207 pessoas. Somente na Escola Especial estão matriculados 115 alunos.
2- Há lista de espera de vagas, ou seja, o número de vagas ofertadas é inferior à busca por novas vagas? Praticamente não existe lista de espera, pois a todo o momento que surgem vagas são chamados alunos novos.
3- Que tipo de trabalho (s) a instituição organiza com PNE? A Escola Especial é regulamentada com parecer de funcionamento e seguindo as mesmas regras das demais Escolas, ou seja, 200 dias letivos e 800 horas, mas busca um trabalho voltado para a eficiência de nossos alunos, por isso tenta diversificar ao máximo a aprendizagem utilizando-se muito de oficinas pedagógicas.
4- Que profissionais atuam na APAE? Professores, Fisioterapeutas, Psicóloga, Fonoaudióloga, Assistente Social, Médico, Psicopedagogas.
5- Quanto aos boatos de extinção das APAEs , há veracidade? Qual a sua opinião pessoal a respeito? Há na verdade uma grande movimentação a respeito da inclusão total, mas mesmo a inclusão acontecendo, tenho certeza que muitos casos a rede pública não terá condições de atender.
6- Como diretora da APAE e professora habilitada para trabalhar com PNE, qual a sua opinião sobre inclusão? As Escolas de Educação Especial são a favor da inclusão escolar com responsabilidade, isso não significa colocar todos os alunos na escola comum, fazendo assim uma inclusão física. A inclusão escolar significa garantir o acesso, a permanência e o sucesso escolar também dos alunos com deficiência. Para isso, a escola tem de oferecer os suportes que o aluno vai precisar para que ele possa, de fato, estar incluído.
7- Como a senhora vê o surgimento de cursos de habilitação em educação de PNE em nossa cidade? Como ficariam estes profissionais frente a possível extinção das CE? Alunos com necessidades educacionais especiais sempre existirão e muitos estão em salas regulares, se realmente a educação especial for extinta, o que não acredito que aconteça, a habilitação em Educação Especial contribuirá para que esses profissionais habilitados possam melhor atender seus alunos de sala de aula.
8- Com que recursos a APAE conta para custear suas despesas? Os recursos que as demais Escolas contam como Programas para alimentação, Projetos elaborados pela Instituição e colaboração da comunidade através do Telemarkting e da Nota Fiscal.
9- No momento a APAE Livramento está com os profissionais necessários para o atendimento ou há alguma carência? Se há, quais as causas? Estamos atendendo o número de alunos que a Instituição comporta.